Como há de ser, o blog enfrenta tempos difíceis... Após um breve lapso de produções claudicantes no miolo do 1o semestre, os trabalhos, as faculdades, os amores e as marionetes consumiram o tempo dos autores. Sob protestos efusivos dos nossos fiéis leitores, decidi retomar o (a)fluxo virtual neste dia 11 de julho.
À cabeça deturpada daquele fan mais devoto surge uma pulga atrás da orelha: por que uma publicação justamente num 11 de julho, data de nascimento E morte de Filinto Müller!? Seria uma homenagem a uma figura retumbante de nossa história? Não... ou melhor, sim! 11 de julho é a data em que 22 primaveras se completam para outra figura retumbante de nossa história: Antonio Yudi, o Totô. Sem ele não estaria aqui escrevendo neste reduto perdido dos 0s e 1s, afinal foi ele o precursor e posterior gestor deste blog, numa tentativa nobre de fundir glória (1), esquisitice (2) e memória (3) entre os amigos que sentiam o humor se evaporar fugidio nas sauna úmida do Ilha do Sul. Atenção aos 3 elementos:
1 - Glória - uma caixinha de surpresas: Totô sempre foi vitorioso. Como ele sempre aponta, sua família superou às duras penas o labor nos campos fétidos de Maringá e hoje pode viver uma vida tranquila entre São Paulo, Minas e, a depender da terça-feira, Londres ou Dubai. A minúcia e a persistência humilde se mantiveram vivas nas raízes orientais: é sempre com muita minúcia e persistência que Antonio humildemente se joga em todos os sofás de casas alheias 3 segundos depois de sua chegada. Um glorioso historiador ou um magnífico artista? Totô decidiu ser ambos: fixa no tempo e no espaço seus aviões e suas Ditas de gravura. Seu sucesso é inquestionável desde o colégio, quando todos seus amigos admitiam que não sabiam 1/5 do que ele sabia de história. Vai lá, cada qual com seu jumento... De qualquer forma, hoje não há aquele que negue nem à primeira visto o caminhar glorioso das calças tactel e os movimentos precisos dos dedos sujos da tinta da semana anterior. Totô é vencedor e sua torcida somos nós.
2 - Esquisitice - o veneno remédio: Quando caminhava taciturno nos corredores solares do colégio, um japonês de 1,92m podia ser visto encostando nas camisetas das pessoas. Era rápido no gatilho; ao primeiro quebrar de pescoço, ele levantava o indicador até o nariz do infeliz, dava uma espécie de soluço-risada e se retirava mudo de seu ritual, com a compostura enrijecida com que seus antepassados sofriam nos campos de arroz (tá aí o significado de um de seus sobrenomes). Entre competições de chute mais alto e luvas ragitafos, Totô nunca fez questão de se adequar à maioria. Ou talvez tenha feito, mas não conseguiu comunicar direito. Há os/as/es que não resistem a tamanho mistério oriental e se jogam seduzidos em seu colo. Por educação, ele retribui, às vezes. Sim, porque não há subjetividade suficientemente conturbada que embaralhe seu senso ético. Atrapalhado e de ritmo inconstante... assim bate seu coração. O amor e os afetos são matérias ainda nebulosas, resta então ofuscá-los com algumas esfihas no La Gallega, onde compartilha com Vinícius a mesma dicção atropelada e os espasmos corporais.
3 - Memória - amigo é coisa para se guardar: A memória é a joia rara do historiador. Totô, como um (proto)historiador, sempre se preocupou em preservar os momentos e os sentimentos de suas amizades: seja em fotos de estradas, seja em pinturas que captam o devir perdido de seus modelos ou até mesmo por aqui, onde a glória e a esquisitice de cada um de nós encontra um lugar para se fincar. O Totô é esse espelho reverso que ao primeiro movimento lança nosso olhar para ele, nos obrigando a rir e comemorar a comunhão em torno de si. Mas ao segundo, terceiro movimento, olhamos para nós mesmos e sentimos vontade de exprimir este qualquer emaranhado de coisas rodopiantes passeando pelo corpo. Não há dança sutil nem pincel vigoroso que contenha a energia que se espelha e se espalha por ele.
Encerro com as palavras do poeta: A um bruxo, com amor. Mazal Tov!
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