"Em uma dia inteira que eu faz matemática, aproximadamente 95% do que eu pensa não vai funcionar".
Olha para cima, como quem está fazendo uma conta.
"Na verdade, 99%".
Aposta para ser relembrada no futuro - como profecia ou piada - dou dois dias de vida útil ao blog; mais dois meses de UTI, degenerando aos ...
"Em uma dia inteira que eu faz matemática, aproximadamente 95% do que eu pensa não vai funcionar".
Olha para cima, como quem está fazendo uma conta.
"Na verdade, 99%".
Certa feita, numa sexta feira cinzenta e chuvosa, peguei minha bicicleta e resolvi ir ao boteco do seu Nuno. Queria comprar uma cachaça para dar partida no fim de semana.
Chegando lá pedi uma Baianinha, cachaça de primeira. Seu Nuno me atendeu, conversamos um pouco, ele me contou como estavam os filhos e a esposa e, carinhosamente, colocou a garrafa numa sacola plástica e me entregou. Agradeci, paguei e pendurei delicadamente a sacola, com a deliciosa dentro, no guidão da bicicleta. O céu de zinco trovejava, azul, e eu me perguntava se não teria problemas voltando pela estrada de terra, mas era o único caminho.
Já estava me despedindo e saindo de volta para casa, na boca da estrada, quando me bateu uma angústia, uma inquietação: e se eu cair no caminho? Se eu cair a garrafa vai se quebrar inteira, eu vou ter que fazer todo o caminho novamente, além de desperdiçar meu tempo e meu dinheiro. Além disso posso me machucar com os cacos de vidro... Não... Isso não pode acontecer. O caminho é tortuoso e longo, e os barulhos da floresta e da tempestade ao longe me atordoam. Isso, mais o dia cansativo...
Pronto! Resolvi tomar a Baianinha toda ali mesmo para evitar problemas. E não é que na volta cai de fato, umas 15 vezes... Ainda bem que me preveni...
- Lucas, não acho que as coisas funcionem assim, gostaria de primeiro te conhecer como amigo, talvez, dai, quem sabe se nos afeiçoarmos, ficamos e, dai sim namoramos...
- Ora, .... mas a ordem dos fatores não altera o produto.
outro alerta importante>
aos leitores novos, novissimos
atentar que onde lê-se "democratizando" quer dizer, em justa medida o que se pensa escutar: "democratizando"
mas, por obra de fabulação, misticismo e oculta - secretíssima e indecifrável - irônia, onde lê-se "genialidade" espera-se que leia-se seu oposto . E que se não para nem tanto, ao menos leia-se em tom de modestia e sem a presunção de arrogância alguma.
Agradecidos,,
A diretoria.
ALERTA: marina twiaschor, escreve-se em forma fonética, tuviáchôr, pede que, aos leitores e integrantes do blog, não seja dado a moleza de pronunciar seu nome em embocadura abrasileirada. Diz ela, com terrível irritação, ao - autointitulado- editorchefe deste blog, que em eventualidade de comprovoda lassidez fonética abandonará imediatamente o corpo editorial deste blog*.
* pedimos ao leitor, encarecidamente, que se não lido em voz alta, seja ao menos mentado da forma correta.
INFORME: Marina tuviáschor é a nova integrante deste blog. Não se diz mais nada. Apenas que, em matéria de humor, da nova integrante pode-se esperar o que melhor há do casamento da frouxidão do riso bobspongesco, da causuística - no sentido mesmo da contação do causo - que herdou pelo que há de mineiridade no seu sangue, e da secura judaíca - que, pela propria qualidade da secura, dispensa adjetivações.
-Olá
-Olá
-Olá
-Olá
-Olá
-Olá
-Olá
-Olá
-Tudo bem?
-Há um impostor entre nós!
-Dois!
-Três!
-Quatro!
-Cinco!
-Olá
Douglas, o papagaio, temendo ser assassinado, jogou-se pela janela, sentindo-se órfão.
Ângelo Antenor apreciava um cigarro importado, enquanto sua mão esquerda balançava o copo molhado de uísque. Observava indiferente um acasalamento de crocodilos -- já havia um quarto de hora que o programa sobre construção de piscinas terminara. A brasa do fumo por pouco não queimava o estofo do sofá amarelado. Levantou-se de súbito.
- Ora, a vida não pode ser isto!
Decidido, apagou o cigarro, tomou um banho, escovou os dentes, fez a barba, perfumou-se, calçou os sapatos e saiu. "Quem sabe não encontro um velho conhecido!" Ao chegar à rua, notou que esquecera de se vestir.
Esquecido,
Esquecido... como poderia passar seu aniversário de dois anos, sem ser esquecido. Nosso querido Blog, perdido entre 0s e 1s, oculto nas redes binárias, entre teias e mais teias algorítimicas... Passou se tempo, envelhecemos e, naturalmente, nos esquecemos...
Quem diria: se mergulhamos no rio, se gostavamos de nos banhar, tinhamos de saber que o ídilio ia acabar, as águas iam voltar a correr e a gente ia se deixar levar. Hoje, irremediavelmente mais poéticos que nunca: mais barbudos do que nunca; quem diria, até Louis Felipe tem no rosto seus pelinhos... Miguelzinho, diria coitado _ ele dirá, abençoado_ os tem em poquinha monta. Dos mais hombrosos, Há os acostelados, de barba farta e bigode fino: digam, o João e os JuDEUS ! Sem ser estes, há os que são pelo inverso: quer dizer, pela ausência, de bigode fino e sem fartura na barba. De mim, digo ser o mais equilibrado, o mais bem arrazoado, de barba e bigodes bem equilibrados.
Enfim, este nosso rio: carrega ao ralo este monte de pelos, entope com sua estúpida genialidade. Hoje somos velhos, amanham seremos ainda mais.
Em frente à gaiola onde repousava Douglas, o papagaio, aninhou-se a serelepe criança. Veio brincar com a ave recém-chegada à casa dos avós:
- Douglas, repete.
- Douglas, repete.
- Douglas, qual seu nome?
- Douglas, qual seu nome?
- Douglas Douglas Douglas
- Douglas Douglas Douglas
- Blá Blá Blá
- Blá Blá Blá
- Cocô xixi pum
- Cocô xixi pum
- Hahaha
- Hahaha
- Eu torço pro Corinthians
- Eu torço pro Corinthians
- Douglas amigão
- Douglas amigão
- Douglas, você me ama?
Douglas calou-se. O amor era ainda matéria difícil para sua cabeça.