Certa feita, numa sexta feira cinzenta e chuvosa, peguei minha bicicleta e resolvi ir ao boteco do seu Nuno. Queria comprar uma cachaça para dar partida no fim de semana.
Chegando lá pedi uma Baianinha, cachaça de primeira. Seu Nuno me atendeu, conversamos um pouco, ele me contou como estavam os filhos e a esposa e, carinhosamente, colocou a garrafa numa sacola plástica e me entregou. Agradeci, paguei e pendurei delicadamente a sacola, com a deliciosa dentro, no guidão da bicicleta. O céu de zinco trovejava, azul, e eu me perguntava se não teria problemas voltando pela estrada de terra, mas era o único caminho.
Já estava me despedindo e saindo de volta para casa, na boca da estrada, quando me bateu uma angústia, uma inquietação: e se eu cair no caminho? Se eu cair a garrafa vai se quebrar inteira, eu vou ter que fazer todo o caminho novamente, além de desperdiçar meu tempo e meu dinheiro. Além disso posso me machucar com os cacos de vidro... Não... Isso não pode acontecer. O caminho é tortuoso e longo, e os barulhos da floresta e da tempestade ao longe me atordoam. Isso, mais o dia cansativo...
Pronto! Resolvi tomar a Baianinha toda ali mesmo para evitar problemas. E não é que na volta cai de fato, umas 15 vezes... Ainda bem que me preveni...
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